O café, a bebida mais popular do mundo, é conhecido por seu efeito estimulante e sabor único.
Em um novo estudo medindo o comprimento dos telômeros e sua relação com o consumo de café
Os pesquisadores usaram análises estatísticas multivariadas para analisar dados de 468.924 participantes com idades entre 37 e 73 anos.
Esses dados incluíam informações sobre consumo de café (geral, instantâneo e filtrado), dados demográficos, estilo de vida e saúde.
Resultados principais:
- O consumo de café está inversamente associado ao comprimento dos telômeros.
Isso significa que quanto maior o consumo de café, menor o comprimento dos telômeros. É importante enfatizar que se trata apenas de uma associação estatística, e o estudo mediu o comprimento dos telômeros, não a expectativa de vida real. - A associação inversa permaneceu significativa mesmo após o ajuste para outros fatores, como idade, sexo, escolaridade, atividade física e dieta.
- O efeito mais forte foi observado para o consumo de café instantâneo.
Cada xícara adicional de café instantâneo foi associada a uma redução de aproximadamente 0,38 anos no comprimento dos telômeros relacionados à idade. - Não foi encontrada associação estatisticamente significativa entre o consumo de café filtrado e o comprimento dos telômeros.

Explicação detalhada dos dados na Tabela 2:
- Exposição: Tipo de café examinado (café geral, instantâneo, filtrado).
- Efeito em anos (IC 95%): Estimativa estatística do efeito do consumo de um tipo específico de café no comprimento dos telômeros, apresentada em anos.
Um valor negativo indica uma associação inversa, ou seja, o consumo de café está associado a uma redução no comprimento dos telômeros.
O intervalo de confiança de 95% mostra a faixa de valores prováveis para o efeito. Quando o intervalo de confiança cruza o zero, o resultado não é estatisticamente significativo. - n: Número de xícaras de café consumidas.
- p: Valor p estatístico, usado para avaliar a significância do efeito.
Um valor p baixo indica uma associação mais significativa.
Linhas da tabela:
- Linha 1: Consumo de café geral.
- Linha 2: Consumo de café instantâneo.
- Linha 3: Consumo de café filtrado.
Principais descobertas:
- Consumo de café geral:
- O efeito no comprimento dos telômeros foi negativo (-0,12 anos) e estatisticamente significativo (p < 0,001).
- Isso significa que cada xícara adicional de café consumida foi associada a uma redução de 0,12 anos no comprimento dos telômeros.
- Consumo de café instantâneo:
- O efeito no comprimento dos telômeros foi negativo (-0,38 anos) e estatisticamente significativo (p = 0,001).
- Isso significa que cada xícara adicional de café instantâneo consumida foi associada a uma redução de 0,38 anos no comprimento dos telômeros.
- Consumo de café filtrado:
- O efeito medido foi muito pequeno (-0,04 anos) e não estatisticamente significativo (IC 95%: -0,47 a 0,39, p = 0,862).
- Isso significa que o estudo não encontrou uma associação significativa entre o consumo de café filtrado e o comprimento dos telômeros.
Mecanismos possíveis (hipóteses) para o encurtamento dos telômeros devido ao consumo de café:
É importante esclarecer que o estudo mostrou apenas uma associação estatística, não comprovou causalidade. Os pesquisadores levantaram várias hipóteses possíveis que ainda não foram validadas, e vale notar que as evidências sobre elas são mistas:
- Cafeína e efeitos fisiológicos: O café contém cafeína, uma substância estimulante que pode aumentar temporariamente a pressão arterial e a frequência cardíaca em algumas pessoas.
- Possível relação com o estresse: Em pessoas sensíveis, o consumo excessivo de cafeína pode contribuir para sentimentos de ansiedade. O estresse crônico está associado na literatura à redução do comprimento dos telômeros, mas este é apenas um mecanismo hipotético neste contexto.
- Efeito no sono: O consumo de cafeína em horários tardios pode prejudicar a qualidade do sono, e o sono de qualidade é importante para o reparo do DNA.
Importante esclarecer sobre o estresse oxidativo: Ao contrário do que se poderia supor, uma revisão de estudos de intervenção em humanos (Martini e colegas, 2016) descobriu que o consumo de café pode, na verdade, proteger contra danos ao DNA e aumentar os níveis de glutationa no corpo, graças aos polifenóis antioxidantes do café. Ou seja, a hipótese de que o café aumenta o estresse oxidativo não é bem apoiada pela literatura, e a relação entre café e telômeros ainda não é totalmente compreendida.
Importante lembrar: as evidências são mistas
Vale notar que nem todos os estudos apontam na mesma direção. Outros estudos, como o estudo de coorte Nurses' Health Study (Liu e colegas, 2016), encontraram uma associação inversa, onde um maior consumo de café foi associado a telômeros mais longos. Portanto, as evidências sobre o assunto são mistas, e não há uma conclusão definitiva.
Conclusões:
O estudo do UK Biobank sugere uma possível associação estatística entre o consumo de café, especialmente café instantâneo, e um comprimento mais curto dos telômeros, enquanto para o café filtrado não foi encontrada associação significativa.
No entanto, trata-se de uma associação observacional que não comprova causalidade, e existem outros estudos que encontraram resultados opostos. Um comprimento mais curto dos telômeros está geralmente associado na literatura ao envelhecimento, mas para entender a relação entre café e telômeros, são necessárias mais pesquisas.
Referências:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10055626/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6274123/
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar o artigo.