Se você acompanha as tendências do K-Beauty, provavelmente já ouviu o nome "ginseng preto". Em 2026, os produtos que o contêm estão inundando as prateleiras na Coreia, no Japão e, recentemente, também em Israel. Mas há ciência real por trás disso, ou apenas marketing inteligente? Estudos publicados nos últimos anos dão uma resposta clara.
O que é exatamente o ginseng preto?
O ginseng comum (Panax ginseng) é uma planta de raiz usada na medicina chinesa e coreana há milhares de anos. O ginseng preto é o ginseng comum que passou por um processo especial de processamento: 9 vezes de vaporização e secagem. O processo altera sua composição química e converte ginsenosídeos comuns (como Rb1) em ginsenosídeos mais raros (como Rg3, Rg5 e Rk1), que são responsáveis por seus efeitos antienvelhecimento.
O primeiro achado: inibição da degradação do colágeno
Um estudo publicado em dezembro de 2025 no periódico Journal of Dermatologic Science and Cosmetic Technology investigou células da pele humana (fibroblastos) e descobriu que o extrato de ginseng preto reduz significativamente a expressão de MMP-1, uma enzima que atua como "tesoura" do colágeno. Quando o MMP-1 está alto, ele corta o colágeno da pele e cria rugas. Quando o MMP-1 é reduzido, o colágeno é preservado.
No estudo, uma concentração relativamente baixa de 4 microgramas por mililitro foi suficiente para inibir a expressão de MMP-1 em células da pele danificadas por inflamação. Simultaneamente, o extrato promoveu a expressão de TIMP-1, uma proteína natural que inibe o MMP-1 e, assim, protege ainda mais o colágeno. Esses dois mecanismos, juntos, atuam no sentido de preservar a textura do colágeno na pele.
O segundo achado: redução da mediação inflamatória na pele
O envelhecimento da pele é acelerado pelo inflammaging, uma inflamação crônica em nível celular que aumenta com a idade. O mesmo estudo também examinou um modelo de pele tridimensional (3D) cultivado em laboratório e descobriu que, na concentração de 0,1% do extrato de ginseng preto, houve redução na secreção de PGE2, uma molécula de sinalização lipídica que é um mediador central da inflamação na pele.
Além disso, os pesquisadores usaram uma ferramenta computacional chamada docking molecular (molecular docking) para prever a quais proteínas-alvo os ginsenosídeos se ligam. A análise previu que eles poderiam se ligar a proteínas inflamatórias como IL-6 e TNF-alpha, mas é importante enfatizar: isso é uma previsão computacional de alvos possíveis, e não uma medição direta da redução nos níveis dessas citocinas na pele. A redução medida de fato foi no PGE2, não no IL-6 ou TNF-alpha.
O terceiro achado: uniformidade do tom da pele
Outro fenômeno interessante vem de um estudo separado e mais antigo: um estudo de 2018 publicado no periódico Journal of Functional Foods (volume 45, páginas 67-74) identificou que os ginsenosídeos Rg5 e Rk1, característicos do ginseng preto, atuam como inibidores da tirosinase, a enzima que produz melanina. O significado: eles podem clarear pontos de pigmentação (manchas solares, manchas pós-inflamatórias, irregularidades) e contribuir para um tom de pele mais uniforme.
Como usar isso?
O ginseng preto está disponível em várias formas:
- Sérum: a forma mais recomendada para a pele. Concentrações altas, penetração profunda. Incluído na rotina diária de manhã e à noite
- Creme facial: concentração mais baixa, mas amigável para peles sensíveis. Adequado para uso diário
- Ampola: concentração muito alta para um "boost" de 1 a 2 vezes por semana
- Suplemento alimentar: a ingestão oral de ginseng preto também ajuda. O efeito é mais geral (não específico para a pele), mas há estudos que mostram benefícios para a pele também com o consumo oral
Quem não deve tomar?
- Mulheres grávidas e lactantes: ainda não há estudos suficientes sobre a segurança nesse grupo
- Pessoas que tomam anticoagulantes (como varfarina): o ginseng pode aumentar o efeito
- Pacientes com pressão alta não controlada: o ginseng pode aumentar a pressão arterial
- Pessoas com sensibilidade a plantas medicinais: recomenda-se um teste de sensibilidade em uma pequena área
A conclusão
O ginseng preto não é mágica, mas é mais do que apenas propaganda. Com os mecanismos comprovados em laboratório (inibição de MMP-1 e promoção de TIMP-1 para preservar o colágeno, redução do PGE2 inflamatório e inibição da tirosinase para uniformidade do tom), ele pode ser um complemento significativo para sua rotina de cuidados com a pele, especialmente se você tem mais de 40 anos ou lida com danos solares ou inflamação crônica.
É importante lembrar: a maioria dos estudos foi feita em laboratório (células da pele e modelos tridimensionais) e não em grandes ensaios clínicos em humanos. Os efeitos podem ser mais moderados do que os de retinoides estabelecidos. Mas, como ingrediente complementar, há fundamento científico.
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